quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Estratégia do Pentágono contra o EI afunda


Damasco (Prensa Latina) A ofensiva do Estado Islâmico (EI) contra a cidade síria de Ain al Arab (Kobane para os curdos) simboliza a não efetividade dos bombardeios de Washington e seus aliados contra essa organização terrorista.

Em 16 de setembro, mediante o uso de artilharia, tanques e veículos armados, esse grupo extremista lançou um ataque contra o enclave que culminou com o assédio da localidade e a ocupação de dezenas de povos adjacentes.



O avanço dos radicais, que enfrentam uma forte resistência das milícias curdas sírias, deixou em evidência a estratégia bélica do Pentágono.



No entanto, esse não foi o único desafio do Daesh (as iniciais do grupo em árabe) aos Estados Unidos e seus aliados, muitos dos quais são acusados por Damasco de armar e financiar o EI e outras formações afins.



A província iraquiana Al Anbar está praticamente sob seu controle, enquanto suas avançadas encontram-se só a 10 quilômetros de Bagdá.



Os terroristas mostraram seus músculos ao cercar três regimentos iraquianos durante dias, um sintoma de seu poderio militar.



"Está claro que o EI tem feito avanços notáveis em Iraque", admitiu o general retirado John Allen, enviado especial da Casa Branca para a coalizão contra esse grupo.



Tanto os peshmerga (forças de segurança dos curdos iraquianos) ao norte como o exército nacional ao sul, enfrentam violentos ataques dessa organização radical.



Televisoras, comentaristas e especialistas sírios são céticos sobre o resultado dos bombardeios e diariamente recordam o financiamento da Casa Branca aos agrupamentos islamitas que tentam derrubar o governo de Bashar al Assad.



Sobre essas incursões, os terroristas mantêm sob controle uns 50 mil quilômetros de território a ambos lados da fronteira, entre eles Mosul, a segunda cidade do Iraque, e Raqqa, capital da província oriental síria de igual nome e devinda na capital do autodenominado Califato.



Diariamente funcionários públicos do Pentágono e do Departamento de Estado norte-americanos defendem sua estratégia, enquanto as fotos de supostos alvos são divulgadas por diversos meios de imprensa do mundo.



Imagens de supostos centros de treinamentos, de comando, de comunicações e quartéis destruídos são apresentadas como um sucesso da ofensiva, enquanto se publicam listas de combatentes radicais mortos.



Mas, mais especificamente, de pouco têm servido para destruir a capacidade militar desse grupo, que tem dezenas de milhares de homens e abundantes artefatos bélicos.



Ainda que criou um governo nas áreas sob seu poder para dar legitimidade a suas políticas e ganhar adeptos, o EI carece de instituições visíveis, o qual converte a esta formação em um alvo difícil, para além das caravanas de armados que se movem de um lado a outro da fronteira para suas operações.



É impossível determinar até que ponto essas incursões danificaram as correntes de comando, de comunicações e logística do Daesh, ainda que seus recentes ofensivas parecem demonstrar que continuam operativas.



Desde o início dos ataques aéreos, no passado mês, Damasco fez questão da necessidade de cooperar com o exército sírio para derrotar esse agrupamento, ainda que a Casa Branca e seus aliados fizeram caso omisso aos chamados.



Estados Unidos não está conseguindo seus objetivos. "Eles nos atacam em umas áreas e nós avançamos em outras", assinalou em uma entrevista à televisora CNN um combatente do grupo que utilizou o pseudônimo de Abu Talha.



O terrorista detalhou que o Daesh (por suas siglas em árabe) se preparou antecipadamente às incursões da aviação, que qualificou de triviais.



Sabemos que nossas bases eram conhecidas, porque os militares norte-americanos as rastrearam com radares e satélites, de modo que preparamos novas localizações, sublinhou.



Outro miliciano que abandonou ao EI, identificado como Abu Omar, confirmou a estratégia. "Eles esvaziaram quase totalmente seus quartéis gerais", assegurou.



Meios de imprensa estadunidenses como os diários The Washington Post e The Hill, políticos, entre eles o senador republicano John McCain, coincidem em criticar a campanha.



O Estado Islâmico segue avançando por todas partes, é algo claramente muito, muito ineficaz, expressou dias atrás o legislador.



Os bombardeios iniciados contra território iraquiano em 8 de agosto e na Síria em 23 de setembro não têm atingido seu objetivo mínimo de deter a expansão dos forças yihadistas e muito menos a missão dos degradar e os destruir, advertiu por sua vez The Washington Post.



"Ninguém disse que isto seria fácil e rápido, e ninguém deve alentar uma falsa sensação de segurança pelos ataques aéreos efetivos", admitiu o porta-voz do Pentágono, aposentado almirante John Kirby.



Também o porta-voz do Ministério de Defesa do Iraque, Mohamad al Askari, considerou que os bombardeios não têm conseguido debilitar o Estado Islâmico.



Ainda é cedo para fazer um balanço dos bombardeios, parece claro que sem a coordenação com as forças armadas do Iraque e Síria será impossível derrotar essa organização terrorista, que conta com milhares de homens e armamento moderno.


Prensa latina

Fonte: Estratégia do Pentágono contra o EI afunda»

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