Relato de uma jovem que vive no campo de refugiados palestinos de Yarmouk, Damasco, Síria:



“Obrigado, Estado Islâmico! Eu sou uma filha do Sham (Levante) e eu não terei medo de falar do que acontece no campo (Yarmouk). Eu não tenho medo de falar com os outros!

Ouvimos violentos confrontos. Pensamos que o regime (tropas do ditador Assad) tinha invadido o campo. Pouco depois soubemos que se tratava de um ataque do Estado Islâmico. Ouvimos que o Estado Islâmico viria para nos matar, outros diziam que o Estado Islâmico era braço do entidade sionista (Israel). As pessoas começaram a fugir de suas casas porque eles não podiam lutar contra os mujahedeens. Eles eram muitos!




Ficamos com medo, visto que não poderíamos fugir. Ficamos escondidos em casa, chorando... Nossa irmã estava orando e fez sua dua (prece) para Allah nos proteger.

Passados os confrontos, fomos olhar pela janela, por detrás da cortina. Vimos carros com bandeiras negras, grandes homens vestidos com roupas pretas, cabelos e bargas compridas, armados... Era assustador! Um deles gritou em frente minha casa: “Há famílias aqui?” Pensamos que eles iriam nos matar. Nosso vizinho, um velho imã, foi quem teve a iniciativa de falar com homens. Surpreendentemente um mujahidi lhe deu uma caixa e um beijo na testa.



Nosso vizinho passou a guiar os homens, apontando-lhes as casas que haviam famílias. Ficamos como medo! Pensamos que ele era um traidor ao guiar os homens que viriam nos massacrar.

Eles entraram no nosso prédio e todos corremos para pegar nossos lenços de oração. Fomos todos para a cozinha, pegar facas para nos proteger. Eram momentos tensos...

Eles bateram na porta de modo tranquilo e minha irmã abriu a porta depois de tanto hesitar de medo. Nós nos escondemos e ficamos ouvindo. Um deles disse: “Assalamu Aleikum!” (saudação islâmica). Depois perguntou se havia algum homem na casa para conversar (muçulmano estranho não pode falar com uma mulher muçulmana que não é da família). Minha mãe respondeu que não. Um deles respondeu então: “Oh mãe, nós somos filhos do Estado Islâmico! Viemos para ajudar e livrá-los do ditador. Receba essa caixa com letas de alimentos e esse saco também!”



Minha mãe disse-lhes: “Eu vendi a maioria dos meus móveis, minhas jóias, jóias da família... Vendi ao Exército Livre Sírio para conseguir um pouco de comigo para as minhas filhas. Agora estamos só a viver de água e especiarias. Estamos esperando a morte. No sofá estão nossos pijamas, se você quiser pegá-los... Eu não tenho dinheiros e jóias para pagar por esse alimento.

Quando minha mãe completou a fala, ouvimos uma voz embargada, um choro... Olhamos para a direção de onde vinha o choro e vimos homens enormes chorando. Um deles disse: “Oh, mãe! Eu não quero nada de você! Somos filhos do Estado Islâmico, os quais vieram para dar honra aos muçulmanos. Viemos para ajudar, servi-lhes e não para se aproveitar ou matá-los. Temos medicamentos e leite para os bebes também!”



Pensávamos que estávamos a sonhar. Não acreditamos. Nossa mãe começou a chorar e prometeu que iria fazer d’ua para eles. Nós também chorávamos. Eu não sei porque chorávamos?! Talvez porque o regime matou o islã em nosso campo, mas agora o Estado Islâmico vai libertá-lo. O Islã voltou para nossas vidas por causa dessa ética rara. O regime e o mundo (comunidade internacional) matou o instinto humano em nossos bairros, mas agora Deus enviou Estado Islâmico veio para nos livrar da morte eminente.

Pela primeira vez, em dois anos, alguém bateu na nossa porta para nos dar comida e perguntar educadamente se falta alguma coisa.



Os mujahedeens me fez lembrar dos nobres homens da revolução no inicio, quando o povo de Homs veio até nós pedir comida, habitação e roupas.

Mas agora, depois de tudo que aconteceu no campo, com os ladrões e agentes dos regime, peço a Allah que conceda a vitória ao Estado Islâmico e que derrote e humilhe que se opor a ele.

Minhas palavras de raiva vem depois de um ataque de um helicóptero do regime, que nos atacou 5 minutos após os mujahedeens irem embora. Tudo ao arredor ficou destruído. Nosso prédio ficou destruído, mas todo louvor a Allah. Os mujahedeens foram atingidos, mas como em um milagre, todos saíram gritando “Allahu Akbar –Deus é Grande” dos escombros. Nenhum se feriu, talvez um apenas.

Essa é a minha mensagem para os árabes e muçulmanos. Estamos há dois anos nesse campo em condições sub-humanas, vivendo só de água há um mês. Não temos aquecimento. Onde está a masculinidade e o cavalheirismo?



Que Allah trate dos opressores! E se ‘você’ nos ameaçar dizendo que somos do Estado Islâmico, eu te aviso sem medo: Então minha mãe, irmãs e eu seremos do Estado Islâmico, assim como cada sírio honesto que tiver contato com o Estado Islâmico se tornará um.”

*Essa mensagem rodou o mundo árabe e islâmico na data de hoje. Eu pude ver muita gente falando que chorou ao ler esse relato.



O Informante




Fonte: SÍRIA: Relato de uma jovem moradora do campo de refugiados de Yarmouk»

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